terça-feira, 23 de novembro de 2010

O BÉRCIO

Como meu nome não é lá muito comum, não acho estranho quando entendem e/ou escrevem Tércio, Dércio, Ércio ou coisa parecida. E já me acostumei a explicar que é “com P de papai”.

Semanas atrás, porém, ao entregar um sapato para conserto, Ari, o sapateiro, meu velho conhecido mas que ainda não aprendeu direito meu nome, escreveu, na nota de conserto, “Bércio”.

Considerando o que disse acima, isso não deveria causar estranheza. E não causou mesmo. Mas, trouxe um enorme sentimento de saudade, porque a única pessoa neste vasto mundo que me chamava – sempre – de Bércio era o Joaquim, o popular Joaquim Papagaio, dos meus tempos de guri lá em Lagoa Vermelha.

O Joaquim que até hoje não sei direito de onde veio, de quem era filho e por que morava com nossa família. O Joaquim que dizia se chamar Joaquim Palhano da Rosa, que era tratado como empregado da casa, mas que nunca abriu mão de sua independência. Que não abria mão também do direito de andar com uma faca na cintura por toda a cidade, de tocar seu violão quando lhe desse vontade, de xingar quem o xingasse e de brigar com sua mulher, que não morava com ele mas a quem ele sempre acabava dando algum dinheiro quando ela o ia procurar.

Lamento não ter conhecido melhor esse homem e carrego sempre comigo a desagradável sensação de que não o tratamos com o respeito que ele merecia.

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