quinta-feira, 29 de novembro de 2018

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sábado, 27 de outubro de 2018

DEZ COISAS QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE PEDRAS PRECIOSAS



1. Brilhante não é uma pedra preciosa

              Embora muita gente fale em anel de brilhante, essa palavra não é nome de uma pedra preciosa e sim de um estilo de lapidação. Como esse tipo de lapidação é o que melhor ressalta a beleza do diamante, ele é o mais usado para essa gema e, com isso, muitos fazem a confusão entre diamante e brilhante.
              Há diamantes que não são lapidados na forma de brilhante, assim como há gemas que não são diamante e recebem lapidação brilhante.
              Portanto, se a pedra do seu anel, brincos ou outra joia for um diamante, diga que você tem um anel ou brinco de diamante, não de brilhante. 
Abaixo, figura mostrando como é um brilhante visto de perfil (abaixo) e de cima.



3. Rubi e safira são um mesmo mineral

              O rubi e a safira são variedades de um mesmo mineral chamado coríndon. Rubi é o coríndon de cor vermelha; safira é o coríndon com qualquer outra cor.
A safira azul-escuro a púrpura é a mais valiosa, mas existem outras, com cores como   rosa, dourada e até incolor (leucossafira).

3. Esmeralda e água-marinha também são um mesmo mineral

              A esmeralda e a água-marinha também são variedades de um mesmo mineral, neste caso o berilo. Mas, aqui as diferenças vão além da cor: a esmeralda (verde) é bem mais valiosa que a água-marinha (azul-claro a esverdeada). Além disso, embora seja fácil obter uma água-marinha bem límpida, sem defeitos (os gemólogos chamam os defeitos de inclusões), a esmeralda invariavelmente é cheia de fissuras onde podem se alojar outras substâncias. Apenas em pedras muito pequenas se deve esperar uma grande pureza.
             
4. A cor é o que mais valoriza uma gema lapidada

              Do valor de uma gema lapidada, 50% devem-se à cor. Ela é a propriedade que mais importa na avaliação de uma pedra preciosa. Em segundo lugar vem a pureza (30%) e depois a qualidade da lapidação (20%).
              Mesmo no caso de diamantes incolores (como é a imensa maioria deles) a cor é fundamental porque aquilo que para um leigo parece incolor, pode estar longe de sê-lo. Os avaliadores de diamante conseguem definir cinco categorias de cor do aparentemente incolor ao absolutamente incolor.

5. O significado de quilate

              Quando se fala de gemas, a palavra quilate nada tem a ver com qualidade. Ela é uma unidade de peso, que equivalente a 200 miligramas. Assim, uma pedra preciosa de 5 quilates pesa um grama.
              A confusão é fácil de entender porque quando se fala em ouro, aí, sim, quilate tem a ver com a composição. As ligas de ouro podem ter 58,33% deste metal (ouro 14 K), 75% de ouro (ouro 18 K, ou ouro 750) ou 100% de ouro (ouro 24 K, ou ouro 1.000, que é o ouro puro). 
              Ouro 18 K é o mais usado em joias; ouro 24 K é o que se comercializa em barras e lingotes. 

6. O significado de dureza

              Muita gente pensa que substância dura é aquela difícil de quebrar. Isso não está errado, mas quando se trata de pedras preciosas ou qualquer outro mineral, dureza é a resistência que a pedra oferece quando se tenta riscá-la, não quebrá-la. 
              Um exemplo clássico é o diamante, que é a substância mais dura que se conhecer. Ele só pode ser riscado por outro diamante, mas é muito fácil de ser quebrado.
              O oposto ocorre com o jade, que não tem dureza muito alta (6,5 a 7,0 numa escala de 1 a 10), mas é muito difícil de quebrar.

7. Não existe pedra semipreciosa

              Embora ainda seja comum no Brasil se ouvir falar em pedra semipreciosa, esqueça esse nome. As pedras usadas para adorno pessoal são pedras preciosas, não importa se são caras ou baratas.
Não há e nunca houve uma distinção clara entre quais seriam as pedras preciosas e quais as semipreciosas. Esqueça então essa pretensa diferença. Se seu anel é de ametista, topázio, turmalina, citrino, sodalita, rodocrosita, lápis-lazúli ou água-marinha, por exemplo, não tenha receio de dizer que ele é feito com pedra preciosa.

8. Gema sintética é diferente de gema artificial

              Tanto a gema sintética quanto a artificial são produzidas em laboratório. Elas não são, portanto, naturais. Mas, há uma diferença entre as duas. A sintética é uma pedra preciosa que existe também na natureza, enquanto a artificial não existe ou ainda não foi encontrada. Esmeralda, espinélio, rubi, ametista entre outras são gemas que podem ser sintéticas; mas a zircônia cúbica é uma gema artificial.
              Como existe zircônia que é natural mas não é cúbica, o correto é dizer sempre zircônia cúbica (pode-se usar a abreviatura inglesa CZ) e não apenas zircônia.

9.  O Brasil tem a maior diversidade de gemas do planeta

        O Brasil é uma das nove províncias gemológicas do mundo, ou seja uma das regiões excepcionalmente rica em gemas. A província brasileira destaca-se não apenas pela grande produção, mas principalmente pela enorme diversidade. Há mais de cem gemas já encontradas no Brasil.
              Isso explica por que gemas como ametista, citrino, ágata, quartzo rosa entre outras são baratas aqui.

10. O cristal de rocha

              Cristal de rocha é uma denominação infeliz mas consagrada que designa o quartzo incolor. Ele é assim chamado também em outros idiomas, como francês, italiano e inglês.
A denominação é imprópria porque todos os minerais formam cristais e rocha é uma associação de minerais em proporções definidas. Portanto, cristal de rocha é algo como fruta de árvore, expressão ambígua que não define nada.
Use, se quiser, o nome cristal de rocha, mas, dê preferência a quartzo incolor. E jamais use apenas a palavra cristal para se referir a essa gema.


Fonte: BRANCO, Pércio de Moraes. Dicionário de MIneralogia e Gemologia.
2 ed. rev. ampl. São Paulo, Oficina de Textos, 2014. 608p. il.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O PROJETO ARGÉLIA

O Brasil é um grande exportador de pedras  preciosas, mas nunca se ouve falar que nosso país tenha exportado tecnologia nessa área. Em julho deste ano, porém, foi concluído um bem sucedido projeto de transferência de tecnologia do Brasil para a Argélia, do qual tive a satisfação de participar.
 No início da década de 1980, o governo argelino decidiu promover o aproveitamento das suas pedras preciosas e buscou cooperação técnica de países com experiência no ramo. Vários governos foram consultados e todos pediram alguma contrapartida na forma, por exemplo, de importação de bens ou de serviços. O Brasil foi o único que se dispôs a dar o treinamento desejado sem nada pedir em troca, pois estava em vigor uma política de aproximação com os países africanos.
 Já no ano seguinte, firmou-se um "acordo de cooperação científica, tecnológica e técnica, para transferência de conhecimento para produção de gemas lapidadas, joias e artesanato mineral". O projeto, porém, demorou a iniciar e só em 2010 começou a sair do papel.   
 O Brasil forneceu os técnicos; os argelinos, os equipamentos e espaço físico para as aulas, além de hospedagem e alimentação dos professores, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), as passagens aéreas. A execução do projeto ficou com a Associação Brasileira dos Pequenos e Médios Produtores de Gemas, Joias e Similares, Mineradores e Garimpeiros (Abragem), de Brasília, e sua condução, com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
 O projeto ofereceu treinamento em Gemologia, lapidação facetada, artesanato mineral, ourivesaria artesanal, design de joias e criação de uma cooperativa mineral.

 Em abril de 2010, fui convidado a dar o treinamento em Gemologia e no mês seguinte viajei a Tamanrasset, a sede do projeto, cidade situada a 2.000 km da capital (Argel), em pleno deserto do Saara. Na mesma viagem, estavam o coordenador brasileiro do Projeto, o embaixador brasileiro na Argélia e alguns dos professores. Em Tamanrasset, foi então solenemente inaugurada a escola do projeto, mas mais três anos se passaram até seu início efetivo. 

                            Almoço após a inauguração da escola.

 Decidiu-se que o primeiro curso seria o de Gemologia, e para isso embarquei novamente para a Argélia no dia 12.11.2013. Meu curso lá foi dividido em duas partes, "Introdução ao Conhecimento das Pedras Preciosas" e "Identificação de Gemas Lapidadas, com duração total de treze dias.
 Um dos alunos era professor e já tinha livros publicados. Um dia, criou-se entre nós um certo mal-estar porque divergimos com relação ao processo de formação da pérola. Mas, para minha surpresa, no último dia do curso ele me pediu que redigisse o prefácio de sua nova obra, "L’Art de Transformer les Métaux Nobres en Bijoux et Pieces d’Art". 

                                                  Meus alunos

 O curso teve outros momentos marcantes. Um foi quando um aluno que raramente falava, após ficar alguns minutos ao microscópio olhando inclusões de uma gema lapidada, afastou os olhos do aparelho e exclamou, em francês, falando consigo mesmo: "Quantas maravilhas Alá colocou no mundo para nós!"
 Outro aconteceu durante as primeiras aulas. Ao falar sobre o diamante nos meus cursos, costumo mostrar uma foto de uma linda mulher usando um biquíni totalmente revestido com aquela gema. É apenas uma curiosidade para mostrar um uso exótico daquela pedra preciosa. Na Argélia, fiquei em dúvida se mostrava ou não a foto, considerando que os costumes lá são bastante diferentes e que as mulheres argelinas mostram quase nada do corpo. Como seria uma simples curiosidade e exibida por apenas alguns segundos, resolvi deixar.
 Os alunos haviam me pedido autorização para copiar minha apresentação em seus pen drives. Por isso, não estranhei muito quando, minutos antes de retomar a aula sobre diamantes, um dos alunos mais jovens foi mexer no data show, sem nada me falar. Recomecei a aula e quando projetei a foto da mulher de biquíni apareceu apenas o biquíni, em sua posição real. O aluno removera da foto todo o corpo da mulher.
 Entendi que havia ferido a suscetibilidade daquele jovem e pedi desculpas a todos, mas vários deles me disseram para não dar importância ao fato, pois aquilo era o sentimento daquele aluno apenas.

 

                             
                                               O Saara
   

 Um aspecto positivo do Projeto envolveu as mulheres. A tradição argelina não vê com bons olhos mulheres trabalhando com metal, e o curso de Gemologia só teve homens inscritos. Mas, nas demais atividades o Projeto Argélia mudou um pouco essa tradição.
 Outra mudança foi introduzida pelo treinamento em cooperativismo. A Argélia não tinha, até então, nenhuma cooperativa nos moldes como nós conhecemos, apenas, minicooperativas familiares. O Projeto levou conhecimentos sobre essa modalidade de produção e, com isso, acabou sendo criada  a primeira cooperativa do país.
 Nas duas viagens, conheci praticamente nada sobre as gemas argelinas, apenas vi alguma coisa que levaram para a sede do curso. A informação que recebi foi que o governo daquele país não tem interesse em divulgar essas informações, mas parece que há uma significativa variedade de pedras preciosas na região sul do país.  


 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

ANTROPÔNIMOS PRECIOSOS


              Antropônimos, para quem não sabe, são os nomes dados a pessoas (João, Maria, etc.).
É bem sabido que os brasileiros são campeões na criação desses nomes, não só combinando os nomes dos pais, como também reproduzindo (geralmente mal) nomes de pessoas famosas.  A fama de Michael Jackson fez surgir centenas ou milhares de brasileiros com o nome Máicon, quando deveria ser Michael ou, pelo menos, Máicol. Achar um nome para o filho combinando os nomes dos pais geralmente dá maus resultados, mas nem sempre. Tenho uma sobrinha chamada Juliana porque seus pais são o Júlio e a Ana. E uma prima tem o belo nome Anileda, que é o nome de sua avó Adelina de trás para diante.  
Mas, quero aqui falar é dos antropônimos que são nomes de pedras preciosas ou outras gemas. Não conheço pessoalmente nenhuma mulher chamada Esmeralda, mas em obras de ficção já encontrei mais de uma, assim como já encontrei mulheres chamadas Ágata. E aos que lembraram agora de Agatha Christie lembro que ágata em inglês é agate, não agatha.
Ainda falando de nomes femininos, conheci uma Pérola, filha de uma amiga de infância.
Se as gemas dão nomes às pessoas, o inverso também pode ocorrer. Larimar é uma gema até hoje só encontrada na República Dominicana e que recebeu este nome porque tem a cor azul, como pode ser a cor do mar, e porque a filha de um de seus descobridores se chamava Larissa.
Não encontrei ainda nenhuma mulher chamada Ametista, Opala ou Safira, mas não duvido que elas existem.
Embora menos numerosos, também há antropônimos masculinos que são nomes de gemas, como Rubi, um amigo do meu tempo de estudante; Ivory (marfim em inglês), nome de um conhecido que trabalhava com um parente meu e Ônix, nome de um político gaúcho (Ônix Lorenzoni). Mas, o mais significativo e mais importante para mim é Heliodoro. Este era o nome do meu pai, falecido em 1967, quando eu havia concluído apenas o primeiro semestre do curso de Geologia e ainda não sabia que existia uma pedra preciosa com seu nome.

Heliodoro (que significa presente do Sol) é a variedade amarela do mineral chamado berilo (a verde é a esmeralda e a azul é a água-marinha). Não pude dar ao meu pai um cristal de heliodoro de presente, mas fiz isso, de modo simbólico, em 2010. Naquele ano, por sugestão minha, fizemos um grande encontro da família Moraes Branco em Lagoa Vermelha (RS), onde ela se instalou em 1860 e onde sempre teve, desde então, pelo menos alguns representantes. Nesse encontro, que foi chamado de I Revoada da Família Moraes Branco dei a cada ramo da família presente uma chapa de ágata polida com os dizeres I Revoada da Família Moraes Branco – EU COMPARECI – Lagoa Vermelha, 31.10.2010. Em homenagem a meu pai, mandei gravar, em outra ágata, bem maior, as palavras HELIODORO MORAES BRANCO – MUITO PRESENTE! e nela colei um cristal de heliodoro com 5 cm de comprimento. 


Por fim, é preciso lembrar um equívoco que se generalizou por influência da televisão. A TV Globo exibiu uma novela em que uma das personagens chamava-se Jade. Isso levou muitos pais brasileiros a assim batizarem uma filha. Mas, jade, meus amigos, é nome masculino, não feminino.  A moda pegou e agora acho difícil que algum menino brasileiro venha a ser batizado como Jade, embora eu tenha conhecido, uns quarenta anos atrás, um Jades.
Antônio Houaiss informa, em seu dicionário, que existe o sinônimo jada, que eu nunca vi ser usado. Uma opção para os pais que querem chamar a filha de Jade poderia ser Jadeíta, que é o nome do mais valioso dos dois tipos de jade (o outro é a nefrita).

segunda-feira, 14 de maio de 2018

KILAUEA, O "MEU" VULCÃO


 Houve uma época da minha vida em que eu ansiava por ver um  vulcão. Eu não conhecia nenhum e queria ter esse prazer.  Mas, não me bastava conhecer qualquer vulcão. Eu queria um que estivesse em erupção!
 Isso naturalmente me impunha pelo menos quatro sérias dificuldades. Primeira: o Brasil não tem vulcões. Segunda: seria preciso esperar que um vulcão não muito distante entrasse em erupção. Terceira: eu precisaria me deslocar logo para lá, antes que ele se aquietasse. Quarta: eu precisaria  descobrir como chegar até ao local, ficando a um distância segura do vulcão. Era, portanto, uma missão impossível.
 Um dia, descobri o livro "Turismo de Aventura em Vulcões", de Rosaly Lopes. Pronto, pensei, agora eu saberei como ver um vulcão em atividade.
 Rosaly Lopes é uma vulcanóloga brasileira que trabalha na Nasa e que identificou 71 vulcões ativos na superficie de Io, satélite de Júpiter. Ela conhece a fundo os vulcões da Terra e seu livro é um primoroso roteiro sobre essas atrações (para ela e para mim, pelo menos) geológicas.
 Comecei a ler o livro com muita atenção e quando cheguei ao capítulo sobre os vulcões do Havaí constatei que não precisava prosseguir a leitura. Eu achara o "meu" vulcão e ele se chamava Kilauea.
 O Kilauea está hoje nos noticiários, porque sua lava destruiu, desde o início de maio, dezenas de casas e obrigou alguns milhares de pessoas a abandonar suas moradias. Descrito desse modo ele parece ser um horror, mas não é bem assim, tanto que, embora sua atividade tenha aumentado muito desde o início de maio, o Parque Nacional dos Vulcões, onde ele se encontra, só foi fechado no dia 10.  Normalmente, ele tem uma atividade pouco intensa, que permite seja visitado sem preocupação. Como os demais vulcões havaianos, o Kilauea tem baixo indice de explosividade, o que significa que suas erupções não são aqueles acontecimentos catastróficos comumente ligados a esse fenômeno geológico. Esse, aliás, foi um dos motivos que me fizeram eleger o Kilauea o meu vulcão. Para dar uma ideia, eu o visitei com minha mulher e a familia do meu filho, incluindo dois netos ainda crianças.  Outro motivo foi que o Kilauea, informou-me Rosaly Lopes, está em erupção continua desde 1987!  Uau!  Isso era incrível! Jamais eu imaginara que um vulcão pudesse permanecer ativo por tanto tempo ininterrruptamente. Isso significava que eu poderia ir lá sem pressa  que ele estaria à minha espera, pelo menos borbulhando.  E assim foi. Por fim, como eu já disse, aquele vulcão se situa num parque nacional, indício seguro de que eu teria pelo menos boas condições de acesso. 
 Como acontece com muitos vulcões, as sucessivas erupções do Kilaueua foram formando um cone vulcânico cada vez mais alto, até que uma delas fez ruir toda aquela estrutura. Assim, o que era um cone tornou-se uma caldeira, que mede 4,0 x 3,2 km por 120 m apenas de altura. O maior jornal  de Porto Alegre informou recentemente que ele mede 1.274 m de altura, mas é um equívoco; esta é sua altitude, ou seja sua localização acima do nível do mar.  






                           O Kilauea de dia, ao anoitecer e à noite. 
 

 O Kilauea não foi  o único motivo que me levou ao Havaí.  Houve outros e um deles é que, ora bolas, ele está no Havaí, com suas lindas praias, suas ondas enormes, sua música, seus luaus e sua história. A distância é muito grande, é verdade. Miami, a capital dos Estados Unidos mais próxima do Brasil, fica a mais de nove horas de voo de Porto Alegre, onde eu moro. Mas, é preciso ir ao outro lado dos Estados Unidos, lá na costa Oeste. E lá ainda pegar um avião até Honolulu, a capital do Havaí, trecho que dá mais umas cinco horas de voo.  Aí, você terá chegado ao Havaí, mas não aos vulcões ativos do arquipélago. É que eles estão não na ilha de Oahu, onde fica a capital, e sim na Big Island, a meia hora de voo dali. Mas, valeu a pena! Ah, valeu, sim. Não só pelo Kilauea (não deu tempo de visitar o Mauna Loa e o Mauna Kea, outros dois vulcões da Big Island), mas porque aproveitamos para visitar também outros locais maravilhosos, como a praia de Papakolea, com sua incrível areia verde, devida não à presença de quartzo, como em praticamente todas as praias do mundo, mas de olivina, um mineral muito diferente.
 Portanto, se você quer ver um vulcão em atividade, aprender muito sobre essa força da natureza e ainda curtir belas paisagens, vá ao Havaí.  E traga de lá pelo menos um CD de Israel Kamakawiwo-ole.

sábado, 5 de maio de 2018

PSEUDOFÓSSEIS NO ARENITO BOTUCATU


              Uma rocha muito comum no sul do Brasil e muito usada na construção civil é aquela chamada no comércio e na indústria de pedra grés. Trata-se de um arenito, rocha formada pela deposição de areia que, com o passar do tempo, teve seus grãos compactados e unidos por um cimento natural, formando a rocha que hoje usamos.
              Esse arenito foi estudado e descrito a primeira vez na região de Botucatu, em São Paulo, e por isso é chamado pelos geólogos de Formação Botucatu ou, mais especificamente, Arenito Botucatu.
              Como dissemos, a formação dessa rocha começou com a deposição de areia.  Esse processo se deu em um ambiente tipicamente desértico - arenoso, árido, quente e com raros seres vivos.  Por isso, não é rocha em que se espere encontrar fósseis. Apesar disso, algumas décadas atrás, uma grande pedreira da região metropolitana de Porto Alegre, de donde se extraiam lajotas e blocos de arenito Botucatu, foi interditada porque alguém informou às autoridades que aquela atividade estava destruindo grande quantidade de fósseis de plantas. 



                Algumas dessas posíveis folhas eram enormes, como mostra a foto abaixo, que me foi gentilmente enviada por minha colega geóloga Andréa Sander.




                O assunto mereceu reportagens no jornal Zero Hora e se estabeleceu uma polêmica no meio geológico.  O tipo de rocha portadora dos possíveis fósseis não era favorável à existência deles, mas as feições tinham muito jeito de folhas fossilizadas. A polêmica foi maior ainda porque a interdição da pedreira cortou a fonte de renda de várias famílias que dela dependiam.
              Eu estava no grupo dos que tinham dúvida:  fósseis no Arenito Botucatu era novidade, mas aquelas feições nele encontradas eram intrigantes. As fotos acima mostram o que alguns julgavam ser fósseis, mas não mostram uma feição que vi mais de uma vez e que me deixava particularmente intrigado. Ela tinha forma de flor, mostrando possíveis pétalas ou algo semelhante, com disposição radial.  É uma figura parecida com a que se vê no lado direito da primeira foto, mas com uma aparência de flor mais definida
              Um dia, ao chegar ao trabalho, após o almoço, vi que uma planta, igual à da foto abaixo,  existente no estacionamento da empresa em que eu trabalhava, projetava, ao sol do meio-dia, uma sombra muito semelhante àquelas feições em forma de flor. Aquilo me deixou surpreso e mais intrigado. Uma planta daquelas comprimida verticalmente pela deposição da areia poderia muito bem deixar uma impressão daquele tipo se a areia viesse a se tornar um arenito.



                Contrários à crença de que seriam fósseis estavam alguns geólogos que conheciam o assunto melhor que eu e que afirmavam ser aquilo consequência da dissolução de cristais de gipsita (sulfato de cálcio hidratado).  A gipsita se forma facilmente em ambiente desértico (um exemplo são as belas rosas-do-deserto), e é bastante solúvel em água. Assim, embora as chuvas fossem raras no Deserto de Botucatu, podiam ocorrer e então dissolver os cristais de sulfato, deixando as tais figuras.
              A polêmica continuou, outras reportagens foram publicadas, mas a pedreira foi reaberta, pois prevaleceu a explicação que atribuía o fenômeno aos cristais de gipsita. Tratava-se, portanto, de pseudofósseis, como os dendritos existentes nos basaltos, que já descrevi neste blog.

terça-feira, 6 de março de 2018

LEMBRANCINHAS PROIBIDAS


                    Para  um geólogo, coletar uma amostra de rocha ou mineral numa estrada ou outro lugar em zona rural é algo extremamente rotineiro. Se ele estiver trabalhando em mapeamento geológico, fará isso muitas vezes em um só dia.
              Se para fazer isso for necessário entrar numa propriedade privada, é claro que antes de começar o trabalho ele pedirá permissão ao proprietário ou a quem ele delegar esse poder. Andará pela propriedade até encontrar alguém a quem posso explicar o que está fazendo e o que deseja.
              O mesmo se pode dizer de um colecionador de minerais, com a diferença de não ser ele talvez tão bem recebido quanto um profissional que está a serviço. Numa pedreira em atividade, normalmente qualquer pessoa é autorizada a entrar, olhar o local e pegar amostras, respeitadas as normas de segurança, como ficar longe de máquinas em operação.
              Isso vale para o Brasil, pelo menos. Já trabalhei em vários estados e só uma vez não consegui permissão para entrar numa propriedade. Foi em Santa Catarina, onde o dono do imóvel não aceitou nenhuma justificativa para permitir que eu e outro geólogo entrássemos. Apresentamos documento de identidade funcional; mostramos que trabalhávamos para uma empresa do Ministério de Minas e Energia; explicamos que fazíamos pesquisa e não fiscalização; mostramos documento do Departamento Nacional de Produção Mineral explicando o que estávamos fazendo e pedindo a cooperação dos proprietários; explicamos que ia ser uma visita rápida. Nada disso adiantou.  O proprietário (dono de uma casa noturna em Florianópolis) foi inflexível e nos deixou com uma certeza: alguma coisa ele tinha escondida lá.
              Estou falando tudo isso porque muitos turistas gostam de trazer pedrinhas, conchas ou areia como lembranças de viagem dos lugares por onde passam.  No Brasil, como eu disse, nada impede que isso seja feito.  Mas, e em outros países?  Aí pode ser diferente.
O Havaí, um arquipélago que está lá no meio do Oceano Pacífico, é um estado dos Estados Unidos. Vigoram lá, portanto, as leis desse país. Mas, há um detalhe: os havaianos têm uma ligação muito forte com a natureza e não gostam que se tire dela o que quer que seja, minerais, rochas, areia, concha, plantas, etc. Se for material vulcânico, mais ainda: Pele é a deusa dos vulcões na mitologia havaiana, e pegar material vulcânico a desagrada, dizem eles.
Em alguns pontos do Havaí, a proibição não é apenas por uma questão de tradição ou religião, é proibição legal mesmo.  A incrível praia de Papakolea (ou Green Sand Beach), na Ilha Grande (Big Island) tem uma areia de cor verde que é única. E o mais incrível é a razão disso: ao contrário de praticamente a totalidade das areias, que são formadas de grãos de quartzo, a areia de Papakolea é formada por olivina, um outro mineral. E a rocha que existe ali, um basalto olivínico, mostra cristais de olivina de até 1,5 cm pelo menos.
Essa raridade geológica é, compreensivelmente, protegida por lei, até porque, além de ter uma areia raríssima, a praia é muito pequena, com menos de 100  m de extensão. Quando se chega junto ao mar, logo se vê uma placa dizendo que é proibido por lei retirar areia daquele local. Claro que um punhadinho de areia não vai fazer falta; mas se isso for permitido certamente alguém irá tirar muito mais e, quem sabe, vender a preciosa areia.



 Na Turquia, uma pedra absolutamente comum na bagagem de um viajante pode criar um problema sério. Um mineral ou rocha pode não ter valor por sua composição, mas sim por sua antiguidade. O país possui leis rigorosas que protegem seus bens culturais e aí se incluem as pedras, pois é possível que se trate de uma relíquia antiga. Se for comprovado que ela é, de fato, uma antiguidade, o turista poderá pegar até dez anos de prisão. É preciso lembrar, pois, que um material pode ter um pequeno valor geológico, mas um grande valor arqueológico.
No Egito, três turistas alemães foram condenados a cinco anos de prisão por haverem retirado pedras da pirâmide de Quéops. Pegar areia, não é proibido, mas é preciso lembrar que ela pode conter corais fósseis, e isso não pode sair do país.
Na Islândia, a coleta de minerais é estritamente proibida.
As areias são muito lembradas por[ turistas porque são fáceis de transportar e permitem montar interessantes coleções com material procedente de muitos lugares, acondicionados em pequenos vidros.  Mas, é bom se informar se essa coleta pode ser feita. Na Itália, por exemplo, isso é estritamente proibido. Na ilha da Sardenha, mais especificamente, a multa pode chegar a 11 mil euros.

Tenerife, a maior ilha do arquipélago das Canárias é território espanhol. Ali, como nas Filipinas, antes de embarcar é bom ver se não há areia no sapato. Nas Filipinas, se considerarem que o turista está levando areia escondida ele pode ser punido com três meses de prisão.

Não conheço nenhuma lei proibindo trazer minerais de países sul-americanos ou dos Estados Unidos (exceto, já disse, o Havaí). Mas, é bom lembrar que a rodocrosita (primeira foto abaixo) é a pedra nacional da Argentina e o lápis-lazúli (segunda foto), a pedra nacional do Chile. Peças trabalhadas desse minerais são muito valorizadas nos respectivos países e vendidas a preços bastante altos. O mesmo ocorre com as esmeraldas (última foto) da Colômbia.  Nesses casos, uma ou duas amostras talvez não criem problemas, mas quantidades que possam ser consideradas volume comercial poderão ser encaradas como contrabando. 





segunda-feira, 20 de novembro de 2017

COMO A GEOLOGIA PERDEU DUANE PACKER

       


O geólogo Duane Packer exerceu por muitos anos sua profissão, possuindo doutorado em Geofísica. Em 1984, era empregado de uma empresa que prestava consultoria a diversas companhias e, por força desse trabalho, viajava por todo o mundo. Sua especialidade era a seleção de locais para construção de barragens em áreas sujeitas a terremotos, um trabalho muito especializado e de extrema responsabilidade. Além disso, dirigia uma grande empresa petrolífera.
            Nas horas de folga, Duane Packer exercia uma atividade bem diferente: dava aulas e realizava curas usando a bioenergia, através de técnicas que ele mesmo desenvolvera. Essa atividade o entusiasmava tanto que ele começou a ter dúvida se continuava trabalhando como geólogo, se abria sua própria empresa de consultoria ou se largava tudo e se dedicava apenas à bioenergia.
            Certa dia, aconteceu-lhe algo estranho quando  trabalhava com a energia de outras pessoas. Conta ele:

       Dei comigo fazendo coisas que não pareciam se originar de qualquer treinamento ou conhecimento anterior e esses movimentos e técnicas produziam resultados impressionantes. As pessoas se davam conta de que lesões ou dores que tinham há anos desapareciam às vezes no decurso de uma hora. Eu simplesmente não conseguia explicar como estava conseguindo esses resultados. Parecia que eu sabia quando tinha realmente terminado algum procedimento, e eu sentia uma presença invisível que parecia estar me auxiliando.

            Uma amiga de Duane Packer, Sanaya Roman, dizia manter contato com vários guias espirituais e Packer foi falar com ela, pedindo-lhe que obtivesse de um de seus guias, chamado Orin, explicações sobre o que vinha acontecendo com ele e orientação sobre sua vida. O guia consultado por Sanaya disse que Parker provavelmente deixaria o emprego, mas ele não acreditou. Aliás, Parker, na verdade, não sabia sequer se acreditava na comunicação que sua amiga dizia manter com guias espirituais. Mas, na falta de explicações para o que vinha acontecendo com ele nas suas sessões de cura, adiou seu julgamento sobre aqueles fatos e continuou consultando Orin através de sua amiga.
            Com o passar do tempo, Packer percebeu que, durante os contatos com Orin, Sanaya sofria mudanças em sua energia e na sua aura. Embora não soubesse como nem por que, ele percebia bem essa alteração. Além disso, as mensagens que começou a receber do guia continham uma sabedoria e um amor que ele nunca encontrara em nenhum ser humano. Conta ele:

       Vi-me frente a frente com muitas contradições entre aquilo em que eu acreditava e o que estava ocorrendo diante dos meus olhos.

            Uma ocasião, Packer teve uma experiência que abalou ainda mais suas crenças. Eis como ele a descreve:

       Certo dia, enquanto eu corria nas colinas, tudo se transformou em padrões em movimento. As árvores não mais pareciam árvores e sim padrões de vibração e eu era capaz de ver através delas. Fiquei imediatamente preocupado com minha sanidade mental. Além de não querer contar aos outros a respeito do ocorrido, eu nem mesmo queria admitir para mim mesmo que essas coisas estavam acontecendo. Alguns dias mais tarde, parei ao lado de um carro num sinal de trânsito. Dei uma olhada para a mulher que estava ao volante e, para meu horror, ao invés de ver uma pessoa, divisei um casulo de luz e linhas de energia ao redor de seu corpo. Fiquei tão preocupado que pedi que essas experiências tivessem um fim, o que de fato aconteceu durante algum tempo.

       Após certo período, Packer começou a ver de novo a energia dentro e ao redor do corpo das pessoas, distinguindo três e depois quatro qualidades ou camadas de energia. Mais tarde, - conta ele - após uma intensa observação, descobri que elas estavam estreitamente ligadas à aura física, mental, emocional e espiritual das pessoas. Alguns indivíduos tinham em torno de si vórtices rodopiantes de energia (...).

            Esses fatos aguçaram seus dilemas existenciais:

       Eu estava começando a sentir uma profunda cisão. Minha parte científica ia trabalhar todos os dias para lidar com a administração e as realidades comuns da ciência e do mundo dos negócios. Após o trabalho, eu voltava para casa e entrava em contato com a energia das pessoas vendo coisas que a ciência afirmava não existir e alcançando resultados aparentemente impossíveis. (...) Eu sabia que teria de tomar algum tipo de decisão para continuar a funcionar. Meu eu científico me dizia que eu estaria cometendo um desatino se me dedicasse em tempo integral à energia e ao trabalho com o corpo. Meu eu intuitivo me dizia que eu não poderia mais suportar continuar a trabalhar fora e negar o que estava se tornando a parte mais interessante de minha vida, ou seja, minhas experiências com a realidade superconsciente. Passei um dia inteiro com Sanaya e Orin, em abril de 1984, esperando solucionar o conflito.
       Naquele dia de abril, eu soube que algo iria acontecer. Algumas semanas antes o nome DaBen viera à minha cabeça enquanto eu dirigia(...) como se tivesse sido sussurrado ao meu ouvido.  Eu ainda não estava certo de que acreditava na canalização**, embora pudesse perceber a transformação nas auras das pessoas quando seus guias chegavam. Tornava-se mais difícil a cada dia negar o que eu estava vendo. Eu certamente não queria entregar minha vida a um guia; eu queria lidar pessoalmente com ela.

            Naquele dia, Packer recebeu orientação de Orin para que pronunciasse o nome DaBen. Foi-lhe dito que era o nome de um guia espiritual e que ele devia convidá-lo a se aproximar.

       Comecei a ficar quente e frio à medida que seguia sua sugestão. Comecei a ver Sanaya em cores e camadas e fui capaz de enxergar através dela. A entidade parecia se aproximar e se tornar mais real. As sensações físicas eram muito fortes, a parte inferior do meu diafragma vibrava descontroladamente e eu sentia falta de ar. Foi tudo bastante dramático e percebo, quando olho para trás, que se a experiência não tivesse sido assustadora, eu não teria acreditado que ele era real. (...) Compreendi mais tarde que a aparição de DaBen não precisava ter sido sensacional.
       O meu despertar para a canalização produziu mudanças imediatas na minha vida. (...) Eu passara muitos meses indeciso, sendo duas pessoas, imaginando o que fazer. Eu sabia agora, com uma profunda certeza interior, que precisava seguir o meu caminho no trabalho com o corpo e no fortalecimento das outras pessoas (..) No dia seguinte, delineei um plano de saída e comuniquei à companhia que estava me demitindo.
       Foi uma decisão extremamente importante, uma vez que tive que enfrentar todos os anos de treinamento científico que desprezaram, ou riram dos fenômenos metafísicos. A canalização e os guias definitivamente não eram assuntos a serem discutidos com os colegas cientistas !


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(*) Todas as informações e transcrições deste artigo foram extraídas da obra Os guias espirituais ensinam o caminho, de Sanaya Roman & Duane Packer (Ed. Objetiva, Rio de Janeiro, 1992. Trad. Cláudia Gerpe Duarte).

(**) Comunicação com uma entidade espiritual. 

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

A COR E O VALOR DAS PEDRAS PRECIOSAS


            A cor é a propriedade mais importante na determinação do valor de uma gema lapidada. Ela responde por 50% do valor, enquanto a pureza representa 30% e a lapidação, 20%.
      O topázio pode ser incolor ou ter várias outras cores (é, por isso, classificado como gema alocromática). O mais valioso é o topázio imperial, amarelo a laranja.
A safira pode ter também muitas cores ou ser mesmo incolor. Mas, a mais valiosa é a azul escura, com algo de violeta.         
Outro exemplo ainda é o berilo, também incolor ou de cores variáveis, destacando-se pelo valor a variedade esmeralda, de cor verde.
Diante desses exemplos, pode o leigo no assunto perguntar: como saber qual a cor mais valiosa das gemas alocromáticas? A resposta é: consultando manuais de Gemologia, um gemólogo ou um joalheiro experiente.
Felizmente, existem as gemas idiocromáticas, aquelas que ocorrem sempre com a mesma cor.  Eu disse felizmente?  Esqueça.  Acontece que nessas gemas há uma só cor, mas pode haver diversas tonalidades, e isso se reflete no valor final. Como regra, quanto mais escura a gema, mais valiosa, embora existam algumas exceções.
A ametista é sempre roxa; o citrino, amarelo ou laranja; o rubi, sempre vermelho, e por aí vai. Mas, o roxo da ametista costuma ser classificado em pelo menos quatro categorias: primeira, segunda, terceira e quarta. Ou extra, primeira, segunda e terceira.   Do mesmo modo é classificado o citrino.
Nesses casos, como saber então se a ametista que temos é extra ou de outra categoria?  Aí, amigos, manuais de Gemologia não ajudam. E o gemólogo ou joalheiro que você consultar talvez não saiba definir isso com segurança.  Quem então faz isso?  Os produtores dessas gemas.  Eles têm pessoal treinado para classificar as gemas nessas categorias quando estão ainda no estado bruto. .
Vejam a foto abaixo.  Ela mostra três qualidades de citrino martelado em relação á cor.  (Gema martelada é aquela que teve as porções com impurezas ou cor ruim removidas com martelos especiais).



Olhando assim, pode parecer fácil distinguir um citrino de segunda de um de terceira ou quarta categoria.  Afinal você está vendo amostras das três classes juntas.  Mas pegar um lote de gemas brutas e ir separando uma a uma conforme a qualidade da cor é trabalho que só faz quem treinou bastante.
A foto a seguir mostra ametistas, também divididas nas mesmas categorias. Para elas vale o mesmo que foi dito acima sobre o citrino, mas talvez já não seja tão fácil fazer a classificação. 

O rubi é sempre vermelho, mas o vermelho sangue de pombo é considerado a cor mais valiosa para essa gema.
      E a classificação do diamante?  Aí, meus amigos, é outro departamento. Classificar diamantes requer uma iluminação correta (artificial), num ambiente adequado, com um conjunto de gemas de diferentes categorias para servir como padrão de comparação, e, mesmo assim, muita, mas muita experiência!