terça-feira, 13 de janeiro de 2015

COMO AVALIAR SUA COLEÇÃO DE MINERAIS


 
Quando decidi vender minha primeira coleção de minerais (1.350 peças de um total de 1.500), em 1996, minha maior dificuldade foi estabelecer seu valor. Cerca de 1/3  dos meus minerais eu próprio havia coletado; 1/3 eu havia obtido por troca e só o 1/3 restante eram minerais que haviam sido comprados. Mesmo para os minerais obtidos por compra era difícil estabelecer um valor porque eu não havia anotado o preço pago ou anotara, mas em moeda nacional, em uma época de inflação galopante.

Porto Alegre, onde eu moro, tem hoje um número muito reduzido de lojas que vendem minerais para coleção o que torna impossível estabelecer um preço de mercado para eles, a não ser, talvez, para daqueles produzidos no Rio Grande do Sul. Na época em que vendi a coleção, as lojas eram ainda menos numerosas. Na verdade, eu conhecia só duas, e uma delas era minúscula.

Isso se justifica: a tribo dos colecionadores de minerais é ainda muito pequena neste estado, mesmo na capital. E talvez o seja também em outros estados, ao contrário do que acontece em países como Estados Unidos, Canadá e Itália, por exemplo.

Após um bom tempo pensando em como estabelecer o preço da coleção, decidi adotar o seguinte critério: o preço de cada peça seria o preço que eu estaria disposto a pagar caso fosse comprá-la.  Sobre o total assim obtido, eu poria um acréscimo como margem de negociação.

A experiência como coordenador de um Museu de Geologia, porém, fez-me ver que o valor era bem maior.  De fato, em qualquer acervo, seja particular ou de museu, o valor total é maior que a soma dos valores das peças que o compõem.  Por quê?  Por várias razões:

             Há que se levar em conta o valor do conjunto.  Uma coleção de minerais variados pode valer menos que uma coleção menor de minerais de um grupo específico. Por isso, sempre oriento quem coleciona minerais a optar, mais cedo ou mais tarde, por um ou alguns grupos de minerais. Colecionar de tudo permite ter uma coleção grande, mas não necessariamente uma grande coleção.

            Nesse aspecto, meu acervo era misto: eu tinha uma quantidade bem grande de espécies variadas, mas, entre as 1.350 peças que eu pretendia vender, havia um grupo bem específico de mais de cem, formado por minerais raros a extremamente raros, daqueles de que a imensa maioria dos geólogos sequer haviam ouvido falar alguma vez, como campigliaíta, balangeroíta, walstromita, peretaíta, carfolita, etc.  E estes eram justamente os mais difíceis de avaliar em termos de preço. 

             Ao valor das peças do acevo, eu devia acrescentar algo pelo fato de todas elas estarem devidamente identificadas, a grande maioria com a procedência geográfica estabelecida.

             Há que considerar ainda, na avaliação de um acervo, o trabalho que se teve para reuni-lo e conservá-lo.

            Levando em conta isso, pedi pela coleção o dobro do que eu considerava o valor comercial do acervo e a ela assim foi vendida. O Prof. Paulo Neves, que intermediou a transação, várias vezes me disse que eu a vendi barato. Pode ser, mas nunca me arrependi (com o valor da venda, pude dar um carro 0 km para minha filha e ainda sobrou num pouquinho).

Bem, mas tudo que escrevi até aqui não esclarece o principal e que é o início de tudo: como avaliar cada peça da coleção.

 Pois depois de 47 anos colecionando minerais, descobri, no ano passado, que existe uma tabela de preços para cerca de 2.300  minerais de coleção.  Trata-se do Standard Mineralogical Catalogue, do qual adquiri, em 2014, a 8ª edição, de 1987. A compra foi feita através da Amazon e acredito que a obra não exista nas livrarias brasileiras. O catálogo é elaborado por E. G. Brazeau e L. S. Brazeau e editado por Mineralogical Studies, de Karnersville (NC).


Ele classifica os minerais para coleção em três categorias: cristais isolados ou com matriz inferior a 10% do volume total; cristais na matriz, em que esta é 10% ou mais do volume total e minerais maciços.
Abaixo, temos exemplo de cristais isolados, no caso de topázio.
 
 
                   Exemplo de cristal (pirita) na matriz.
 
                                 Bornita maciça.




            Estabelecido a qual delas a peça pertence, vem a seguir o critério do tamanho da peça. Aí, o catálogo estabelece cinco categorias, bem conhecidas dos colecionadores que fazem intercâmbio com parceiros dos Estados Unidos: micromount (1/2 polegada ou 1,25 cm); thumbnail (1 polegada ou 2,5 cm); miniature (2 polegadas ou 5 cm); small cabinet (3 polegadas ou 7,5 cm) e cabinet (4 polegadas ou 10 cm).

            Os preços do catálogo, é claro, são dados em dólares norte-americanos.

Há uma seção do catálogo, com 5,5 páginas, que traz uma tabela de preços de minerais que por alguma razão são considerados excepcionais. Isso pode acontecer por provirem de uma ocorrência clássica; por serem excepcionais em pureza, tamanho, forma ou cor ou por serem peças capazes de ganhar um prêmio numa exposição de minerais (um tipo de premiação que não existe por aqui).

Uma outra seção, um pouco maior, mostra preços de minerais brutos lapidáveis, ou seja com qualidade gemológica.

O catálogo tem 94 páginas e sua consulta não é muito amigável, pois as letras são bem pequenas e o texto, muito compacto.  Mas, é uma fonte muito mais confiável do que o critério tão subjetivo que eu usei para avaliar a coleção que vendi.

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