Todos sabemos que o uso de Photoshop para melhorar e/ou modificar fotografias é rotina. Como tantas outras, esta é uma ferramenta que pode ser usada para o bem ou para o mal.
Quando
se fotografa uma pedra preciosa ou outro mineral qualquer, o uso de um editor
de imagens pode tornar sua aparência bem melhor do que realmente é. Isso, é claro,
é ilegal se se pretende com a imagem modificada vender aquela gema. Mas, às vezes a foto que fazemos não capta
bem a beleza do mineral ou gema fotografada.
Eu
tive esse problema tentando fotografar alguns cristais para meu Dicionário
de Mineralogia e Gemologia. Fiz
várias tentativas, com diferentes iluminações, com diferentes fundos e em
ambientes variados, mas o resultado nunca era bom, pois não traduzia a real
beleza do mineral.
Lembro
bem a luta que foi para obter boas fotos de cristais de pirita. Sua bela cor e seu intenso brilho metálico
(em Mineralogia se chama de poder refletor) nunca eram bem captados. Atribuo
isso ao forte brilho, na falta de uma explicação melhor.
Diante
do problema insolúvel, tentei usar um editor de imagens para ver se conseguia
reproduzir a verdadeira cor dos cristais de pirita que estava fotografando. Eu sabia que estava adulterando a foto
obtida, mas com uma intenção nobre, pois não era para melhorar de modo
fraudulento sua beleza, mas sim para reproduzi-la o mais fielmente possível. E é isso que eu chamo de Photoshop do bem.
Abaixo,
fotos de pirita que obtive antes e depois de usar um editor de imagem (que não
foi o Photoshop).
Recentemente,
tive a surpresa de saber que alguns colegas gemólogos muito competentes e
absolutamente confiáveis e honestos, também fazem isso com certas gemas. Sim, usamos bastante pra não deixar pedra
laranja parecer amarela, pedra verde parecer azul e vice-versa, afirmou um
deles. E acrescentou: Esmeraldas são
danadas pra mudar a cor!
Outro
gemólogo disse ter enfrentado o mesmo problema com a turmalina Paraíba, mas não
na obtenção da foto e sim na sua impressão. O neon da Paraíba é impossível
de ser reproduzido com fidelidade na impressão, pois de acordo com a gráfica
que nos atendeu, faltam cores disponíveis de tinta para reproduzir, disse
ele. Aquela cor aparece lindamente na tela, mas na impressão o azul néon
acaba substituído por tons de azul e verde limitados. Isso comprova mais uma
vez como o néon da Paraíba é raro realmente.
E
prosseguem meus caros colegas:
Geralmente,
usamos o Photoshop em um laudo gemológico para que a imagem nele inserida
retrate com maior fidelidade possível a cor da pedra analisada, pois nem sempre
esta é captada adequadamente no ato da fotografia.
Portanto,
não pensem que o Photoshop serve apenas para enganar incautos.
Pércio, ótima sacada tua em falar sobre estes aspectos sobre as tecnologias atuais e o que elas tem trazido em benefício de todas as ciências, incluindo às da Terra. Os aplicativos de alteração de imagem (como o Photoshop), uma variedade enorme de filtros e câmeras específicas para fotografia em Lupas de amostras minerais "in natura", ou em seções polidas de minerais metálicos. Sem deixar de falar, dos microscópios atuais (ópticos e eletrônicos) para lâminas delgadas. Parabéns Geólogo, por estar atento à todas estas maravilhas! Abraço e Sucesso!
ResponderExcluirObrigado, Ricardo. A gente está sempre procurando conhecer esses recursos modernos. Meu filho obtém fotos magníficas da Via Láctea, como aquela que ilustra o livro da Jane.
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