quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

PEDRAS PRECIOSAS SINTÉTICAS – Um outro olhar


A produção de gemas sintéticas é cada vez maior e mais aperfeiçoada. Até mesmo o diamante, que começou a ser produzido sinteticamente em 1954, mas apenas para uso na indústria, chega hoje ao mercado com qualidade gemológica e em volume considerável. E aqui é bom lembrar que gemas sintéticas existem desde o século XIX. Ou seja, a pedra que está naquela joia antiquíssima, que foi de sua avó ou bisavó, pode, sim, ser rubi, safira ou um espinélio sintéticos. O que, é óbvio, de modo algum depõe contra a idoneidade de sua antepassada.
É natural que se prefira uma gema natural à sintética correspondente. Entre os geólogos, sem dúvida a grande maioria – na qual nos incluímos – prefere as pedras formadas na natureza, não as de laboratório.
Essa natural predileção pelas pedras naturais não deve, porém, nos levar a olhar as gemas sintéticas com desprezo. Conhecendo-se o processo usado para obtê-las, as características físicas e até mesmo o seu preço, chega-se à conclusão de que as pedras sintéticas são um produto que merece ser visto se não com admiração, pelo menos com uma boa dose de respeito.
Antes de tudo, é preciso esclarecer que gema sintética não é gema artificial. Em Gemologia há uma grande diferença entre esses dois tipos e é importante que assim seja. Pedra sintética é aquela produzida em laboratório, mas que tem uma correspondente natural. Já a artificial, não. Ela foi totalmente inventada pelo ser humano, não se conhecendo uma correspondente natural. Assim, fala-se em esmeralda sintética, diamante sintético, rubi sintético, etc., mas não em zircônia cúbica sintética. A zircônia cúbica não existe ou, pelo menos nunca foi encontrada, na natureza, sendo, portanto, artificial. O consumidor menos exigente talvez não valorize esta diferença, mas ela é, sim, importante.
Deve-se lembrar também que as gemas obtidas em laboratório são produzidas a partir de gemas naturais. Estas são pulverizadas, e o material assim obtido é fundido e recristalizado, sob condições que variam conforme o processo usado. Por serem obtidos com material natural, possuem propriedades físicas (cor, brilho, densidade, índice de refração, dureza, etc.) iguais ou muito semelhantes às da gema natural. São, portanto, muito similares na aparência, e somente com uso de microscópio gemológico se consegue identificar a síntese. Essa é outra razão para que não se olhe as pedras sintéticas com desprezo. Elas trazem em si praticamente tudo aquilo que faz a gema natural ser admirada.
Isso mostra também que gema sintética não é imitação de gema natural. É muito mais do que isso. Imitação é aquilo feito com vidro, acrílico ou outro tipo de plástico.
Há pessoas que desconfiam de qualquer produto de preço baixo. Ele sempre desperta nelas a impressão de que se trata de produto de má qualidade. Não condenamos quem pensa assim, até porque essa premissa muitas vezes é verdadeira. Mas, se alguém pensa que uma pedra sintética deve ser barata pelo simples fato de ter sido produzida em laboratório, pode se surpreender. Gemas obtidas através de síntese por fluxo podem custar até 400 dólares por quilate (um quilate são 200 miligramas). Isso no atacado ! O processo emprega cadinhos de irídio e de platina, que são caríssimos e acabam por encarecer o produto final.
Na natureza, é bem sabido, os minerais levam muito tempo para se formar. Num laboratório, é de se esperar que isso seja um processo incomparavelmente mais rápido. De fato, a produção de gemas sintéticas leva muito menos tempo, mas não é tão rápida quanto se imagina. Pelo processo citado, cristais de rubi, esmeralda, safira, espinélio e alexandrita, por exemplo, levam 6 a 12 meses para ficar prontos. E é depois desse tempo todo que eles vão ser lapidados.
No final do processo de síntese, a gema tem o formato de uma garrafa, de dimensões centimétricas, a chamada pera de fundição. Devido à existência de tensões internas, esta pera é partida ao meio no sentido longitudinal, e só então é enviada para a lapidação.
Como se vê, as gemas sintéticas resultam de técnicas e investimentos nada desprezíveis. Não é, pois, de estranhar a grande dificuldade que existe para se distinguir, por exemplo, rubi e lápis-lazúli naturais daqueles produzidos em laboratório.
Apesar de tudo que foi dito até agora, sempre haverá quem não queira de modo algum adquirir joia feita com gema sintética. Para estes, uma boa notícia: não são sintetizadas com fins gemológicos ainda (vejam bem, ainda) água-marinha, turmalinas, quartzo (exceto cristal de rocha e ametista), granadas, kunzita e hiddenita, entre outras gemas.
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Artigo publicado originalmente no Portal das Joias (www.portaldasjoias.com.br).


6 comentários:

  1. Prof. Pércio.

    Existem topázios de qualquer tipo, sintéticos? Ou apenas bombardeados, tratados?

    Rosana

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    1. Rosana, mil perdões ! Só hoje estou lendo sua pergunta. Ela foi feita muito depois desta postagem, o que é uma boa justificativa para minha demora em responder, mas lamento mesmo assim.
      Não, Rosana, não existem ainda topázios sintéticos. Apenas aqueles tratados termicamente ou por irradiação.

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  2. Bom dia, Percio ! Nem sei se responderá essa pergunta, devido a data da sua publicação ... mas ... sem problemas vou tentar assim mesmo . Me interessei recentemente por pedras e tenho pesquisado um pouco .tenho um filho com alguns problemas e percebi que muitas tem efeitos emocionais, queria saber se as sintéticas perdem esse efeito ? Também queria saber se existe ainda algum lugar onde se pode comprar pedras naturais ? Comprei muitas em uma loja bem grande próximo de casa ( para fins terapêuticos ) mas fiquei triste em saber que não são naturais . Tem um caso também interessante ... algumas pedras compradas algum tempo atrás (8 anos) eu coloquei dentro de um Aquário que sempre teve Peixes . Para minha surpresa quase todas se transformaram em pedras iguais de rio . Obrigada. Ah ... se vc me ajudar vou ficar tão feliz (rs) senão ... valeu a tentativa . Abraços

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  3. Bel, como eu disse em um artigo publicado aqui mesmo neste blog, não conheço o suficiente sobre cura pelas pedras para te responder.
    As pedras sintéticas são física e quimicamente iguais às naturais, salvo pequenos detalhes, às vezes. Mas, não tiveram contato com a natureza em sua formação. Talvez isso seja importante, mas não sei.
    Por outro lado, os que trabalham com isso, dizem que uma pedra natural pode acumular energias ruins. Então, não adiantaria ser natural.
    Existem muitas lojas que vendem pedras naturais. Em que cidade você mora? Há vários grupos de colecionadores no Facebook que também vendem.
    Não sei explicar o que houve com as pedras do aquário, a menos que elas sejam minerais muito solúveis. Nesse caso, porém, a água do aquário deve ter ficado ruim. Os peixes morreram ?

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  4. Boa tarde, Percio ! Muito obrigada, pela resposta . Moro em São Paulo / Santana .Os peixinhos do Aquário na época nao morreram, não . Eu vou pesquisar mais a respeito. Mais uma vez, muito obrigada !
    Bel

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    1. Bel,há venda de pedras naturais na Pç. da República em feira que se realia aos domingos.
      Há lojas também, se não me engano, na Rua 24 de Maio ou adjacências.
      Informações mais seguras podem ser obtidas com a Associação Brasileira de Gemas e Minerais (ABGM).

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