quarta-feira, 25 de março de 2026

UM TEMPLO DA GEMOLOGIA

            Em dezembro de 2024, depois de 42 anos residindo em Porto Alegre (RS), mudei de endereço, passando a morar em outra cidade. Além disso, passei os últimos vinte meses me dedicando a um livro que comecei a escrever naquele ano. Por tudo isso, parei de escrever aqui há mais de um ano.  Mas, o livro foi publicado e estou de volta.

A primeira coisa importante a relatar é que em junho do 2025 passei quarenta dias em San Diego, na Califórnia (EUA), e aproveitei para ir a Carlsbad, cidade que fica a 20 min dali.  Em Carlsbad, está o que eu considero  um templo da Gemologia: a sede central do Gemological Institute of América (GIA), a mais importante instituição do mundo na área da Gemologia. O GIA tem onze sedes espalhadas por muitos países, mas aquela é a sede central e a única aberta à visitação. Foi nele que se criou a mundialmente conhecida Regra dos 4 Cs, que resume as características usadas para determinar o valor de uma gema lapidada: color (cor), carat (quilate, ou seja peso), clarity (pureza) e cut (lapidação). 

O GIA oferece diversos cursos de formação para gemólogos e joalheiros e mantém laboratórios de excelente qualidade, onde são feitos trabalhos de identificação e classificação de pedras preciosas procedentes de todo mundo. Os cursos podem ser feitos à distância, mas alguns, com o que dá o título de gemólogo, exigem que o aluno preste exames, no final,  em uma das sedes do Instituto.

         O GIA de Carlsbad tem uma atração que é muito interessante, mesmo para quem não é gemólogo nem se interesse muito por gemas: seu museu. Ele tem algumas peças excepcionais, que justificam plenamente a visita. 

O ingresso é gratuito, mas é preciso agendar a visita. No dia e horário da visita que fiz, havia apenas mais dois visitantes, além de mim e minha mulher. Isso mostra que talvez o agendamento seja exigido não tanto por uma questão de grande fluxo de visitantes, mas para poderem deixar um guia à disposição das visitantes.  E quem nos guiou foi Júlia, que, além de muito simpática, conhece bem as gemas ali expostas.

Em frente ao prédio, há uma bela obra de arte de Bernd Munsteiner, escultor de nome internacional, esculpida em um quartzito com dumortierita procedente da Bahia (Brasil). 





Na fachada da sede do GIA, no alto, há espécie de urna com um tetraedro representando um diamante. Dentro dele, outro sólido, este em forma de brilhante, mostra como é obtido esse tipo de gema lapidada a partir de um cristal de diamante de oito faces.  Um conjunto simples, mas muito significativo.



 Gostei de ver que eles valorizam bastante as gemas brasileiras e que estão muito bem-informados sobre elas.  Nada mais natural, portanto, que exibam ágatas do Rio Grande do Sul, pois são consideradas as mais bonitas do mundo. Mesmo assim, foi com muita emoção que vi ali expostas estas seis placas polidas enormes, medindo cerca de um metro,  provenientes de Soledade (RS). Eu já havia visto placas semelhantes, destas mesmas dimensões, naquela cidade, anos atrás. Mesmo assim, porém, foi emocionante vê-las expostas naquele templo mundial da Gemologia.  O geodo original, descoberto em 2014,  tinha dois metros de comprimento e o GIA obteve dele dezesseis placas como estas. Levaram doze dias para serrar cada uma delas e mais de um ano para polir todas. 



     O olho de tigre que se vê no comércio brasileiro são geralmente peças polidas de formato irregular ou pequenos fragmentos no estado bruto. Mas, o museu do GTA expõe uma placa polida que mede mais de 3,00 m de comprimento por 0,50 m de largura, procedente da região de Pilbara, na Austrália Ocidental.   



Quando vi esta peça, a vários metros de distância, não tive dúvida de que era uma obra de arte feita em vidro. Mas, para meu espanto, quando me aproximei vi que se tratava de um cristal de quartzo com uns 80 cm de altura e 193 kg, com inclusões de rutilo!  E  procedente da Bahia!


                A bela, rara e cara tanzanita:



            O Museu do GIA tem uma belíssima coleção de opalas. Lembrando do preço que se paga por uma lasca desta gema nos garimpos de Pedro II (PI), fiquei tentando imaginar valor comercial destas...

       Os copos com água têm o objetivo de manter o ambiente sempre úmido, impedindo a desidratação das opalas.




Belíssimos topázios brasileiros...


Curiosa coleção de miniaturas de instrumentos musicais feitas com gemas e ouro 14 quilates. O autor é Lothar Hermann, de Idar-Oberstein (Alemanha). 



                Além do Brasil, também o Paquistão está representado por lindas gemas, como esta água-marinha. 



A extrema raridade dos diamantes coloridos é bem  mostrada neste expositor.




            Nenhuma das sedes do GIA fica no Brasil. Mas, fiquei sabendo que ele pretende abrir uma unidade aqui para divulgar as gemas entre os estudantes (em Carlsbad, eles têm uma sala exclusiva para receber crianças).  E nossa guia Júlia confirmou isso. Espero que esse projeto se concretize logo. O Brasil está precisando. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário