Li
certa vez que em um satélite de Júpiter chove gasolina. Pode isso? Eu
acho que pode e vejam por quê.
Na década de 1990, descobriram-se, na atmosfera de Netuno, nuvens estranhas, compostas de um pó muito fino das quais pingam gotas muito brilhantes. Pesquisa da Universidade da Califórnia mostrou que essas gotas são simplesmente diamante! A atmosfera do planeta contém metano e tem 21.000 km de espessura (a da terra tem apenas 100 km), gerando uma pressão tão alta que transforma o carbono numa chuva de diamante. O fenômeno ocorre também no planeta Urano.
Anos antes, cientistas da Universidade de Chicago encontraram minúsculos diamantes em meteoritos. Eles podem ser as partículas mais antigas já descobertas, anteriores mesmo ao próprio sistema solar. Quando eu digo minúsculo, quero dizer MUITO minúsculos. Segundo aqueles cientistas, são tão pequenos que trilhões deles caberiam na cabeça de um alfinete!
Para Roy
Lewis, físico daquela universidade, isso mostra que a poeira de diamante
é relativamente comum no espaço interestelar. Ele acredita que os diamantes se
formaram na atmosfera de uma estrela que estava na fase final de evolução, antes da formação do nosso sistema solar, ou seja há mais de 4,5 bilhões de
anos. Quando a estrela explodiu, formando uma nova ou supernova, os diamantes
microscópicos se espalharam pelo espaço, mas parte deles permaneceu nos
fragmentos da estrela e acabaram caindo aqui na Terra.
Outra
descoberta desse tipo surpreendente teve a participação de brasileiros. Em 1991, o
astrônomo Kepler Oliveira Filho, chefe do Departamento de Astronomia da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e seus alunos Antônio Kanaan e
Odilon Giovannini, descobriram uma
estrela quando faziam observações com o telescópio do Laboratório Nacional de Astrofísica,
em Brasópolis (MG). A estrela, batizada de BPM 37093, chamou a atenção
por pertencer ao grupo das anãs brancas variáveis, estrelas que já
consumiram todo seu combustível e implodiram. Elas são pequenas e muito densas,
de um tamanho semelhante ao da Terra, mas com uma densidade de 4 toneladas por
centímetro cúbico!
A BPM
37093 passou a ser acompanhada por uma associação de astrônomos de treze países
da qual Oliveira era presidente. Em 1997, essa equipe encontrou indícios
fortes e que ela poderia, durante sua violenta implosão, ter se transformado em
um único cristal de carbono, ou seja, um cristal de diamante. Esse
processo já era discutido desde o início da década de 1960, mas nunca comprovado
na prática. Oliveira disse que era a primeira vez que se observava esse
fenômeno em uma estrela do tipo variável.
Entre
16 de abril e 4 de maio de 1998, astrônomos do Brasil, Chile, África
do Sul, Austrália e Nova Zelândia observaram a estrela durante 24 h por dia, se
revezando. Também o telescópio espacial Hubble
foi acionado, quatro vezes, para medir radiações ultravioletas emanadas
pela estrela. Não sei o resultado da pesquisa, mas a estrela se mostrava tão
maciça e tão fria que acreditavam que 90% deviam estar cristalizados. Antes de
implodir, ela era dez vezes maior que o Sol. Hoje, tem apenas o tamanho da
Terra, mas pode ser um baita diamante...
Entretanto, o diamante não é a única gema existente no espaço interestelar. Em 2011, astrofísicos da NASA e da Universidade de Toledo, em Ohio, flagraram um tipo de chuva cósmica formada por cristais ao redor de uma estrela em formação, a HOPS-68, localizada a 1.350 anos-luz de distância da Terra, na constelação de Órion. A surpresa é que esses cristais são de olivina, um mineral ferromagnesiano usado como gema, comum em rochas vulcânicas. A novidade foi saber que ela se encontra ao redor de estrelas em formação. A olivina exige uma temperatura de 700 °C para se formar, mas foi encontrada ao redor de um astro com temperatura máxima de 170 °C negativos. Os pesquisadores acreditam que ela se formou num local próximo à estrela e hoje se encontra mais afastada. A descoberta ajuda a entender como a olivina pode estar presente em cometas, que são frios e não possuem atividade vulcânica.
No planeta chamado HAT-P-7b, a mais de 1.100 anos-luz de distância do nosso sistema solar, também chovem pedras preciosas, mas lá são safiras e rubis. Na sua atmosfera, predomina o óxido de alumínio, e as temperaturas podem chegar até 2.000 ºC. Os cientistas afirmam que isso, combinado com ventos intensos, permite que o fenômeno aconteça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário