domingo, 20 de março de 2011
CATARINENSES TAMBÉM TEMERAM CONTAMINAÇÃO RADIOATIVA
quarta-feira, 9 de março de 2011
MORRE UMA BRASILEIRA POUCO CONHECIDA, MAS DIGNA DE ELOGIOS
Morreu no dia 3 de março último, uma brasileira pouquíssimo conhecida em nosso país, embora tenha recebido importantes homenagens em outros países quando era ainda viva. Trata-se de Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, viúva do escritor João Guimarães Rosa, ele sim, celebridade nacional.
Aracy até mereceu um verbete na Wikipédia em Português, mas a escassez de dados biográficos era tão deplorável que a própria enciclopédia informava Essa página está uma pobreza. Deixou de ser pobre em março de 1910, quando melhoramos e ampliamos as informações ali contidas
Nascida no Paraná em 1908, Aracy tinha 102 anos de idade, sofria de Mal de Alzheimer e morreu de causas naturais. Sua morte não mereceu nenhum destaque na mídia do Rio Grande do Sul, e provavelmente do Brasil todo. Vimos apenas um breve obituário no jornal Zero Hora.
O que fez ela de notável ?
Sua mãe era alemã e Aracy foi morar com uma tia na Alemanha após separar-se do primeiro marido. Por falar quatro idiomas (português, inglês, francês e alemão), conseguiu uma nomeação no consulado brasileiro em Hamburgo, onde era chefe da Seção de Passaportes.
Em 1938, um ano antes do início da II Guerra Mundial, entrou em vigor, no Brasil, a Circular Secreta nº 1.127, que restringia a entrada de judeus no país. Aracy ignorou o documento e continuou preparando vistos para eles, permitindo sua entrada no Brasil. Como despachava com o cônsul geral, colocava os vistos entre a papelada para as assinaturas. Para obter a aprovação dos vistos, Aracy simplesmente deixava de pôr neles a letra J, que identificava quem era judeu.
Nessa época, o escritor João Guimarães Rosa era cônsul adjunto e só posteriormente viria a ser seu marido. Ele soube do que ela fazia e apoiou sua atitude, com o que Aracy intensificou aquele trabalho, livrando muitos judeus da prisão e da morte.
Aracy permaneceu na Alemanha até 1942, quando o governo brasileiro rompeu relações diplomáticas com aquele país e passou a apoiar os Aliados.
Muitos anos depois, ela ajudou também compositores e intelectuais durante o regime militar implantado no Brasil em 1964, entre eles Geraldo Vandré, de cuja tia era amiga.
Em 8 de julho de 1982, Aracy Guimarães Rosa recebeu o prêmio Justos entre as Nações, tendo seu nome inscrito no Memorial do Holocausto (Yad Vashem), em Israel. Na mesma ocasião, recebeu o mesmo prêmio o embaixador Luiz Martins de Souza Dantas.
Pelo menos no Dia Internacional da Mulher, ontem comemorado, seu falecimento e sua ação humanitária bem que podiam ter merecido mais que pequenas notas em jornais.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
O HUMOR ÉTNICO
Entre as piadas mais antigas ouvidas no Brasil, estão aquelas de português. E nossos irmãos lusitanos dão o troco, contando piadas de brasileiros. Essa gozação com a gente de outros países é o que elegantemente se chama de humor étnico. Atualmente a “moda” no Brasil não é mais piada de português, e sim piada de argentino. Elas correm soltas na internet, por exemplo, e, na época da Copa do Mundo, só aumentaram.
Isso que nós fazemos com os portugueses e agora mais ainda com os argentinos, existe em todo o mundo. Quem vê filmes norte-americanos, por exemplo, sabe que eles gozam com a cara dos mexicanos. Mas, não só deles: também dos poloneses, que consideram burros, e dos chineses, porque comem carne de cachorro.
O humor étnico existe não apenas em um país com relação a outro, mas também dentro de suas fronteiras. No Rio de Janeiro, por exemplo, são alvo de gozação (ou eram pelo menos anos atrás) os baianos. Aquelas manobras no trânsito sabidamente proibidas, mas que muitos de nós fazemos, são chamadas, no Rio, de baianadas.
Zombar de outros povos pode ser só brincadeira, mas trata-se de antilocução, o primeiro estágio da Escala de Preconceito e Discriminação, criada pelo sociólogo norte-americano Gordon Allport. Nada indica que a gozação dos brasileiros para cima dos argentinos tenha uma tendência a passar disso, porém a escala de Allport tem cinco níveis: Antilocução, Esquiva, Discriminação, Ataque Físico e Extermínio.
No primeiro e menos grave, o grupo alvo da agressividade é objeto de piadas, preconceito e frases insultuosas. No segundo nível, a esquiva, passa a ser ativamente evitado. Subindo na escala, passa a haver discriminação ostensiva, como havia na África do Sul. Vem depois o ataque físico, como foram os linchamentos de negros nos EUA, e, por fim, a tentativa de extermínio, sendo exemplos o Holocausto e, mais recentemente, a “limpeza étnica” na Bósnia.
Piadas e anedotas são uma forma de humor, politicamente incorreta, mas humor apenas. Se elas, porém, passam a ser muito frequentes, corre-se o risco de passar a crer que as pessoas alvo desse humor são realmente como as anedotas as retratam. E aí a coisa começa a ficar perigosa. Portanto, o melhor mesmo é procurar outro tipo de piada, para não correr o risco de ofender ou de reforçar preconceitos.